O bilhete nunca é só de ida

E quando a máscara cai...Deixa de existir tudo menos a desilusão. A angústia por termos acreditado que alguém podia ser diferente. Mas não é. Ninguém é diferente. Ou ninguém muda. Quem é mascarado sempre foi e será mascarado. O sofrimento começa sem sentirmos, sabemos que estamos a adorar aproximarmo-nos de alguém, e damos tudo o que temos e tudo o que não temos. Sabes aqueles momentos em que sentimos uma dor aguda, lá dentro do peito, dor que nem se sabe como é ou como vem, e tira a impressão de que tudo estava bem? Dá vontade de gritar aos quatro ventos numa voz bem alta, como se fosse sair um monstro de dentro de nós, a sensação de algo sem precedentes. Como se viesse um desejo de chorar e chorar, e não saber a hora de parar. Vontade só de engolir fundo e não mostrar nada.
Estava tão bem quietinha… Era suposto ser o início de uma grande amizade. Mais uma razão para não ser preciso mentir, nem enganar, nem fingir... Melhor assim, corta-se o mal pela raiz...Tudo tem o seu lado bom. Há desilusões e desilusões, mas aquelas que acabam por revelar a verdadeira essência de alguém, que correspondem à tal queda da máscara... O problema está nas pessoas, na falta de honestidade, de sinceridade, de bondade... Não há mais nada a fazer a não ser lamentar os tombos que damos na vida, aprender com eles e seguir em frente...
Aprender que o bilhete nunca é só de ida.