Perdida

Já não tenho forças. Já não consigo lutar contra o que é óbvio. Contra o que não tem pernas para andar. Às vezes temos de admitir: nunca vai resultar. Custa, mas é preciso. As minhas forças foram-se deteriorando
 ao longo das semanas. Mesmo que contra a minha vontade. Hoje os nossos olhares cruzaram-se. E, aí, eu tive a certeza. Tive a certeza que "tu e eu" nunca vai resultar. Que nunca vai haver um "nós". Que tudo não passa de uma ilusão, de um possível sonho. Tu sabias. Sabias que eu queria e acreditava. Mais uma razão que me leva a ter a certeza. A possibilidade de um "nós" nunca te passou sequer pela cabeça. Dói, claro que dói. Cada vez que olho para ti, dói. Mas é a lei da vida. Rejeições vêem-se em todo o lado, com toda a gente. Só tenho que aprender a lidar com isso. Hoje fui-me abaixo. Não sei até que ponto me vou conseguir levantar. Só sei que me encontrei apaixonada por alguém que mal conheço. A não saber o que quero nem o que faça. A pedir a mim própria para não chorar. A sorrir cada vez que passas por mim, para disfarçar as lágrimas que querem cair. A parecer feliz cada vez que alguém me olha. A usar como desculpa a poeira para os olhos molhados. E, agora, vejo-me perdida. Deixa-me esquecer-te. Pára de passar por mim a toda a hora com o teu sorriso lindo. Deixa-me ir.