"Não deixem nada por fazer, nem nada por dizer"

Continuo a insistir que as pessoas perdem demasiado tempo com tudo errado. Demasiado tempo com coisas erradas, com pessoas erradas. Sofrem, choram, vivem em constante tristeza e esquecem-se do que têm de bom. Do que a vida tem de bom! Dizem que só lhe damos valor quando o perdemos... A nossa vida pode acabar num segundo. Até pode ser uma frase bastante cliché, mas é a mais pura das verdades. A nossa vida pode acabar num segundo. A vida dos que mais amamos pode acabar num segundo. Agora, ou daqui a dez minutos, dez meses ou dez anos, quem sabe... E se fosse mesmo agora? O que aconteciam às coisas que ficaram por fazer? Às coisas que ficaram por dizer? O que se diz a uma mãe que acabou de perder um filho? Não é suposto... O que se diz a uma criança que acabou de perder os pais inesperadamente? Não é suposto. Mas acontece, todos os dias, a toda a hora. A reunião importante que faltaríamos, o lixo que não ia ser despejado, o café que não íamos beber com a melhor amiga, os miúdos que iam ficar à espera de serem apanhados na escola... Num segundo, não há nada a fazer. Tudo deixa de fazer sentido. E eu aqui, longe de tudo e de todos. Não consigo deixar de pensar na dor que sentiria se perdesse alguém importante agora, longe de mim. Quais teriam sido as minhas últimas palavras? Quando foi a última vez que disse à pessoa que a amava? Será que a última imagem dela de mim foi um sorriso? Tudo fica a divagar na cabeça. E, volto a referir, uma mãe que perde um filho? E um irmão que perde um irmão? E essa dor? Não é suposto. Aproveitem aquilo que têm com quem têm de mais importante, porque amanhã pode ser tarde demais. Da próxima vez que discutires com a tua mãe, ou com qualquer outra pessoa, lembra-te: se fores embora, pode ser a última vez que a vais ver. Não te despeças com más palavras. 
"Não deixem nada por fazer, nem nada por dizer". António Feio