Finalmente

Finalmente consegui pôr para trás todos aqueles anos. Os meus anos de glória do secundário, onde conhecia toda a gente da escola, onde ia dormir a casa todos os dias. Demorou alguns meses. Demorou para me adaptar à minha nova vida, demorei a assimilar todas as mudanças que tive este ano. Demorei a aceitar que tudo o que era tão certo, de repente, deixou de ser. Vi-me sozinha, numa cidade desconhecida, sem amigos, sem caras conhecidas. Vi-me a pensar no passado e a querer voltar, mais do que tudo. A querer voltar para a minha casa, para os meus amigos, para a minha família. Nunca desejei tanto voltar a “casa”. Vi-me completamente perdida. Chorava dia e noite. A minha mãe ligava-me todos os dias à tarde, eu estava sozinha em casa e ela percebia o quão triste eu estava. Via os meus amigos a fazerem os seus próprios novos amigos e a terem sempre histórias para contar, e eu ali, sozinha, sem ninguém. Quando acordava de manhã, só queria ficar na cama. A vontade de passar a manhã com desconhecidos era zero. Chorava cada vez que entrava no comboio no domingo à noite. Só pensava no quão eu era feliz meses atrás e ali não era nada. Cheguei a pensar se isso era bom para mim. Se deveria continuar ou mudar de direcção. Demorei mais de seis meses. Mas encontrei-me. Já não estou sozinha. Agora, tenho comigo pessoas que sei que vou ter durante muito, muito tempo. Pessoas que fui conhecendo nos últimos meses. Pessoas que pensei serem completamente diferentes do que são, e que acabaram por me surpreender positivamente. Pessoas que, no início, não passavam de desconhecidas, a quem eu só trocava um “bom-dia” e um sorriso vazio, tudo apenas por uma questão de educação. Pessoas com quem eu nunca pensei me dar tão bem e fossem tanto como eu. Hoje, fico triste quando a tarde chega ao fim, depois de mil jogos de cartas e mil e uma gargalhadas, e vão todos para casa. Hoje, acordo de manhã com vontade de passar mais um dia com os MEUS amigos, com quem já tenho as MINHAS histórias para contar. Hoje, a minha mãe liga-me à tarde e mal consigo falar com ela no meio de tanta alegria. Porque, nessa altura, ainda estou com o meu people, na faculdade. Hoje, as minhas semanas passam a correr. Dou por mim à quinta-feira à noite a pensar “Amanhã já é sexta-feira e vou para casa, passou tão rápido”. Quando chego a casa no fim-de-semana, não me consigo calar. Tenho tanta coisa para contar sobre a minha semana, sobre o que fiz e com quem fiz. Consigo contar, pelo menos, doze pessoas. Doze pessoas que fazem do meu sorriso todos os dias sincero. Hoje, sei que não desistir foi a melhor decisão da minha vida. Demorou, mas estou feliz.