Arrisca

Cheguei a um ponto que me fartei. Fartei-me de “correr atrás”. O facto de estar, embora sem grande esperança, constantemente à espera de um sinal teu torna-me vulnerável, frágil. E isso é coisa que eu não me posso dar ao luxo neste momento. Preciso de ser forte, de estar com os pés bem assentes na terra. É verdade que cada vez que passas por mim me deixas alienada. Mas eu quero, eu posso, eu consigo, eu vou. Vou ser mais forte que os meus instintos. Vou ser uma mulher poderosa, ninguém me vai conseguir deter nem mandar abaixo. É o melhor, tanto para ti como para mim. Vou libertar-me a mim própria, resistir a todos os sorrisos e olhares. Vou ser forte. Tu sabes onde eu estou. Se quiseres vir, vem. Posso estar à tua espera ou pode ser tarde demais. Experimenta. Arrisca. Não vou correr mais atrás de quem sabe onde me encontrar.

Chorar não resolve, mas alivia

Às vezes é preciso chorar. Limpar as mágoas, lavar as memórias. Limpar a alma. Esquecer por momentos aquilo que nos deixa tristes. Deixar escorrer pela cara tudo o que nos magoa. Às vezes é preciso tirarmos algum tempo para pensar em nós. Um momento a um. Porque em primeiro lugar devemos estar sempre nós, os nossos desejos e as nossas necessidades, nunca os outros. E, por vezes, com a correria do dia-a-dia, deixamo-nos levar com as preocupações e os problemas dos outros, quando os nossos vão ficando para trás. Cinco minutos, quarenta e cinco ou duas horas... Tão pouco que faz tanto... Não são só os fracos que choram, muito pelo contrário. Só os fortes têm coragem para enfrentar o medo de vacilar, o medo de ser sensível. Chorar faz bem. Respirar fundo e olhar para cima faz bem. Só no fim de aceitarmos o que realmente se passa é que vamos ter toda a força que tanto procurámos para enfrentar tudo e todos os que nos preocupam. Chorar não resolve, mas alivia.

Finalmente

Finalmente consegui pôr para trás todos aqueles anos. Os meus anos de glória do secundário, onde conhecia toda a gente da escola, onde ia dormir a casa todos os dias. Demorou alguns meses. Demorou para me adaptar à minha nova vida, demorei a assimilar todas as mudanças que tive este ano. Demorei a aceitar que tudo o que era tão certo, de repente, deixou de ser. Vi-me sozinha, numa cidade desconhecida, sem amigos, sem caras conhecidas. Vi-me a pensar no passado e a querer voltar, mais do que tudo. A querer voltar para a minha casa, para os meus amigos, para a minha família. Nunca desejei tanto voltar a “casa”. Vi-me completamente perdida. Chorava dia e noite. A minha mãe ligava-me todos os dias à tarde, eu estava sozinha em casa e ela percebia o quão triste eu estava. Via os meus amigos a fazerem os seus próprios novos amigos e a terem sempre histórias para contar, e eu ali, sozinha, sem ninguém. Quando acordava de manhã, só queria ficar na cama. A vontade de passar a manhã com desconhecidos era zero. Chorava cada vez que entrava no comboio no domingo à noite. Só pensava no quão eu era feliz meses atrás e ali não era nada. Cheguei a pensar se isso era bom para mim. Se deveria continuar ou mudar de direcção. Demorei mais de seis meses. Mas encontrei-me. Já não estou sozinha. Agora, tenho comigo pessoas que sei que vou ter durante muito, muito tempo. Pessoas que fui conhecendo nos últimos meses. Pessoas que pensei serem completamente diferentes do que são, e que acabaram por me surpreender positivamente. Pessoas que, no início, não passavam de desconhecidas, a quem eu só trocava um “bom-dia” e um sorriso vazio, tudo apenas por uma questão de educação. Pessoas com quem eu nunca pensei me dar tão bem e fossem tanto como eu. Hoje, fico triste quando a tarde chega ao fim, depois de mil jogos de cartas e mil e uma gargalhadas, e vão todos para casa. Hoje, acordo de manhã com vontade de passar mais um dia com os MEUS amigos, com quem já tenho as MINHAS histórias para contar. Hoje, a minha mãe liga-me à tarde e mal consigo falar com ela no meio de tanta alegria. Porque, nessa altura, ainda estou com o meu people, na faculdade. Hoje, as minhas semanas passam a correr. Dou por mim à quinta-feira à noite a pensar “Amanhã já é sexta-feira e vou para casa, passou tão rápido”. Quando chego a casa no fim-de-semana, não me consigo calar. Tenho tanta coisa para contar sobre a minha semana, sobre o que fiz e com quem fiz. Consigo contar, pelo menos, doze pessoas. Doze pessoas que fazem do meu sorriso todos os dias sincero. Hoje, sei que não desistir foi a melhor decisão da minha vida. Demorou, mas estou feliz.

Louca por ti

As horas parecem dias quando não estás lá. E, quando estás, nunca os minutos passam tão rápido. Bem que os tento aproveitar, porque sei o quão raro isso pode acontecer, mas cada vez que olho para ti congelo. Não consigo ver mais nada à tua volta, como se só tu existisses. As minhas mãos congelam, o meu coração tanto acelera a mil à hora como pára completamente por segundos. Mas acredito que aproveito. São esses os pontos altos da minha semana. O pior vem depois... Quando te vais embora... Aí os meus olhos seguem-te e contam os teus passos. Não imaginas o quanto eu gostava de ir contigo. Caminhar ao teu lado, só eu e tu. Sonho com o dia em que vais olhar para mim, com esses olhos que me fazem derreter, e dizer "Vem comigo". Percebe que eu ia sem hesitar, que eu te seguiria para qualquer lado. Percebe que cada vez que me olhas nos olhos fazes o meu dia. Percebe que estou completamente louca por ti.

"Não deixem nada por fazer, nem nada por dizer"

Continuo a insistir que as pessoas perdem demasiado tempo com tudo errado. Demasiado tempo com coisas erradas, com pessoas erradas. Sofrem, choram, vivem em constante tristeza e esquecem-se do que têm de bom. Do que a vida tem de bom! Dizem que só lhe damos valor quando o perdemos... A nossa vida pode acabar num segundo. Até pode ser uma frase bastante cliché, mas é a mais pura das verdades. A nossa vida pode acabar num segundo. A vida dos que mais amamos pode acabar num segundo. Agora, ou daqui a dez minutos, dez meses ou dez anos, quem sabe... E se fosse mesmo agora? O que aconteciam às coisas que ficaram por fazer? Às coisas que ficaram por dizer? O que se diz a uma mãe que acabou de perder um filho? Não é suposto... O que se diz a uma criança que acabou de perder os pais inesperadamente? Não é suposto. Mas acontece, todos os dias, a toda a hora. A reunião importante que faltaríamos, o lixo que não ia ser despejado, o café que não íamos beber com a melhor amiga, os miúdos que iam ficar à espera de serem apanhados na escola... Num segundo, não há nada a fazer. Tudo deixa de fazer sentido. E eu aqui, longe de tudo e de todos. Não consigo deixar de pensar na dor que sentiria se perdesse alguém importante agora, longe de mim. Quais teriam sido as minhas últimas palavras? Quando foi a última vez que disse à pessoa que a amava? Será que a última imagem dela de mim foi um sorriso? Tudo fica a divagar na cabeça. E, volto a referir, uma mãe que perde um filho? E um irmão que perde um irmão? E essa dor? Não é suposto. Aproveitem aquilo que têm com quem têm de mais importante, porque amanhã pode ser tarde demais. Da próxima vez que discutires com a tua mãe, ou com qualquer outra pessoa, lembra-te: se fores embora, pode ser a última vez que a vais ver. Não te despeças com más palavras. 
"Não deixem nada por fazer, nem nada por dizer". António Feio

Era porque não estava destinado a ser

Muitas vezes damos demasiada importância a problemas que não afectam a nossa vida em nenhum sentido. Muitas vezes ficamos assustados com o que vai acontecer com o nosso futuro, e esquecemo-nos de que nem o passado nem o futuro importam, apenas o presente. Apesar de todos os problemas, todas as confusões, nunca deixes o teu presente ser abalado. Aliás, a vida é uma só, e não existe passado nem futuro depois de morrermos, só existe o presente. Hoje engoli o choro mais uma vez. Engoli a vontade de gritar para todos. E engoli um pouco da dor também. Mas isso está-se a acumular e acumular dentro de mim, e eu não aguento muito mais. Já pensei em desistir. Já fiz até loucuras para ver se acabava com, pelo menos, um pouco desta dor, mas parece que com o tempo só vai aumentando. Por isso, estou a começar a desconfiar do que me dizem. Dizem que, com o tempo, tudo passa, tudo se cura. Mas não sei até que ponto isso é verdade. Porque, para mim, o tempo vai passando, e dói cada vez mais. Dói, sim. Até dói ouvir certas músicas que me fazem lembrar do que eu mais preciso de esquecer. Mas depois de tudo isto, depois de toda a esta dor, só de ouvir a tua voz, já me sinto bem. Como um remédio santo. Tudo em ti me conquista todos os dias. Tu fascinas-me. Já tenho inúmeras razões pelas quais cada vez mais tenho a certeza que isto tão cedo não vai passar. Quando olho para ti, só penso num "nós" que não existe. Nos olhares que não se cruzam. Nas palavras que não são ditas. Nas mãos que não se tocam. Nos beijos que não são dados. Só consigo pensar que não há outros lábios que eu deseje beijar mais que os teus. Penso em "nós". Pode vir a existir, quem sabe? E, se existir, que o nosso amor dure um montão de anos, tanto quanto a nossa vida durar. Que nós nos conheçamos pelos olhos, saibamos tudo um do outro, mas nunca deixemos de nos surpreender um ao outro todos os dias. Que sejamos eternos adolescentes apaixonados, por aí, escondidos dos pais. Que a nossa cama tenha nos lençóis sempre a marca dos nossos corpos e o calor da noite passada. Que enfrentemos este mundo juntos, e que saibamos que, no fim do dia, esperaremos sempre um pelo outro, com um sorriso de saudade nos lábios e um "eu amo-te" preso na garganta, que ficou um dia inteiro de trabalho à espera de ser dito. E que seja amor e paixão, sempre, juntos. Sempre nós. E se não for, não foi. Era porque não estava destinado a ser.

Daquelas que gostam de gostar dos que não gostam de volta


O que é suposto fazer quando a pessoa que tanto te faz chorar é a única que te pode ajudar? Dói muito gostar de alguém que sei que nunca poderei ter… E pior que isso, é conversar todos os dias com essa pessoa e não poder demonstrar o que realmente sinto. A cada segundo que estou perto de ti, tenho que controlar minha respiração, os meus batimentos cardíacos, o meu estômago que parece estar com borboletas dentro dele… Eu preciso de me controlar para não te olhar nos olhos por muito tempo, com medo de que isso seja o suficiente para perceberes e me evitares. A pior forma de sentir a falta de alguém é estar sentado ao seu lado e saber que nunca a terá. E um pedaço de mim morre, um dia de cada vez. Porque parece que não consigo tirar-te da minha cabeça. Não importa o quanto eu tente. Cada vez que ponho os pés no chão e começo a aceitar que nunca serás meu, que vais ter outra pessoa... Vejo-te sorrir. E tu estragas tudo. Só eu sei o quanto eu queria poder-te abraçar, poder-te beijar, poder-te ver, poder-te tocar, chorar no teu ombro, rir até às três da manhã, ver filmes agarrada a ti, sussurrar-te no ouvido: “Tenho comigo toda a sorte do mundo”, viajar contigo, conversar contigo até não poder mais, andar de mãos dadas contigo, conhecer os teus amigos, conhecer a tua família, morar contigo, dormir na mesma cama que tu dormes… Pois, mas tudo isto não passa de um sonho do que nunca poderei realizar contigo. Querer alguém que não te quer é como tentar voar com uma asa partida. Aparentemente, sou daquelas que gostam de gostar dos que não gostam de volta. Aparentemente, gosto de sofrer por quem pouco mais sabe senão o meu nome. Mas eu sei que, quando menos esperar, voltarei a sorrir, a viver a minha vida sem limitações, tudo fará sentido, e me vou apaixonar por alguém errado, outra vez.

Por vezes forte, às vezes fraco

São dias como o de hoje que me fazem mal. Porque voo alto e caio de ainda mais alto. Já nem consigo escrever. As palavras que me fluem na cabeça não passam disso. Não passam para os dedos. Sinto-me travada, com falta de alguma coisa. Tenho medo, sabes? Tenho medo de me ter apegado tanto à ideia de "ti" que agora estou encurralada e não me consigo largar sozinha. Sinto-me presa nos meus próprios braços. E quando olho para ti minutos seguidos e, de repente e inesperadamente, lá estás tu a olhar para mim. Sim, pode ser coincidência. Sim, pode ter sido apenas de relance. Mas isso magoa-me. Cada olhar que cruzamos, e que para ti não passa de um simples olhar, para mim tem muito significado. Não sei explicar, mas tenho um pico de felicidade cada vez que olhas para mim. E eu sei que tu sabes que eu olho. E que passo todo o meu tempo a olhar-te. A ouvires música, a sentires a música nos teus dedos como se estivesse um piano à tua frente. E, por vezes, parece que fazes de propósito, embora sem mal. Não há nada que torne o meu dia mais brilhante do que passar horas a poder olhar-te. E quando tu te vais embora... Quando tu vais embora, apetece-me chorar. Porque, e cada vez mais, pode ser a última vez que te vejo antes do Verão. O tão esperado e doloroso Verão. Sinceramente, não sei como vou aguentar. Mas eu sou forte, e, quem sabe, até me largo de ti já este Verão. Quem sabe... Mas o pensar que são mais de dois vezes sem te ver uma única vez dá cabo de mim. Pode ser que um dia me olhes com vontade de ver. Por vezes forte, coragem de leão, às vezes fraco, assim é o coração.

Perdida

Já não tenho forças. Já não consigo lutar contra o que é óbvio. Contra o que não tem pernas para andar. Às vezes temos de admitir: nunca vai resultar. Custa, mas é preciso. As minhas forças foram-se deteriorando
 ao longo das semanas. Mesmo que contra a minha vontade. Hoje os nossos olhares cruzaram-se. E, aí, eu tive a certeza. Tive a certeza que "tu e eu" nunca vai resultar. Que nunca vai haver um "nós". Que tudo não passa de uma ilusão, de um possível sonho. Tu sabias. Sabias que eu queria e acreditava. Mais uma razão que me leva a ter a certeza. A possibilidade de um "nós" nunca te passou sequer pela cabeça. Dói, claro que dói. Cada vez que olho para ti, dói. Mas é a lei da vida. Rejeições vêem-se em todo o lado, com toda a gente. Só tenho que aprender a lidar com isso. Hoje fui-me abaixo. Não sei até que ponto me vou conseguir levantar. Só sei que me encontrei apaixonada por alguém que mal conheço. A não saber o que quero nem o que faça. A pedir a mim própria para não chorar. A sorrir cada vez que passas por mim, para disfarçar as lágrimas que querem cair. A parecer feliz cada vez que alguém me olha. A usar como desculpa a poeira para os olhos molhados. E, agora, vejo-me perdida. Deixa-me esquecer-te. Pára de passar por mim a toda a hora com o teu sorriso lindo. Deixa-me ir.

Não custa sonhar, não é?

Vivo todos os dias na esperança de um dia vires a olhar para mim como ele olha para ela. Um olhar doce e preocupado, como um de um pai protector, como o de um irmão defensor, como o de um amante apaixonado. Um olhar com uma intensidade que qualquer um percebe. Um olhar como há poucos. Um olhar que, para existir, precisa que haja amor, preocupação, carinho. Não custa sonhar, não é?  Daria tudo para ser o que os teus olhos mais procuram, como os dele a procuram. Para ser a voz que mais queres ouvir, como ele a dela. Para ser a única razão de estares triste ser eu estar triste. Ou o sorriso que te faz sorrir.
Mas eu não sou ela. E tu não és ele.
Por isso, tenho que viver a realidade, a minha realidade. Eu e tu, pouco mais que conhecidos.
Não sei como é possível, mas gosto de ti. Não sei como, não sei porquê, mas gosto.
Pode ser que um dia encontres todos os meus textos, todas as minhas frases, e saibas que são para ti. Todas para ti. E que venhas ter comigo e me digas.
Pode ser que mude alguma coisa, pode ser que não.
Não custa sonhar, não é?

À espera deste momento


E eu que pareço uma tola cada vez que te vejo e falas para mim, que fico contente e ao mesmo tempo frustrada. É evidente o porquê. Ter a tua atenção torna-me a mais contente das tolas. E quando oiço a tua voz e observo a tua naturalidade… Isso é inestimável! Faz com que o meu coração pare durante segundos até voltar a bater. E a frustração vem a partir daí. Vejo a felicidade tão próxima de mim, mas tão distante do alcance das minhas mãos. Vejo-me perdida numa prepotência, dependente apenas do tempo. O tempo é o senhor da razão e o mestre da verdade. O tempo traz a verdade à tona e arruma o desarrumado. Até esse dia chegar, eu continuo a sobreviver do teu sorriso, o mais forte dos meus vícios, aquele que me dá vontade de pedir pelo dia de amanhã quando o de hoje chega ao fim; e da tua voz, o mais belo som que posso ouvir, e que nunca é mal recebido no meu coração. O único som que me faria sorrir no fim de uma derrota do Benfica. O que é suposto eu fazer quando és o meu primeiro e último pensamento de cada dia? Quando todo o meu corpo estremece cada vez que os nossos olhares se cruzam? É suposto fazer tudo, mas eu não consigo fazer nada. Vivo todos os dias com a esperança que um dia vais olhar para mim, com os teus lindos olhos a brilhar, e dizer-me: “Eu também. O que andaste a fazer durante toda a minha vida?”. E eu vou sorrir, beijar-te a testa e responder "À espera deste momento". Mas, por enquanto, eu espero...

Qualquer um se apaixona por uma praia


Alguns dizem que é o amor que move o mundo, outros dizem que não passa de reacções químicas. Alguns dizem que se conseguimos explicar, então não é amor. Alguns dizem que dura para sempre, outros acham que amor é amor até deixar de o ser. O amor está em cada gesto que fazemos, tem as cores da amizade, da devoção, da maternidade, da família, do trabalho, da casa, da vida de todos os dias. O amor não é fácil. Mas mais especificamente, nunca ninguém disse que o início de um relacionamento amoroso é fácil. Porque um relacionamento não é só prazer. Não é só festas, viagens, gargalhadas, diversão, brindes, sexo, beijos, cumplicidade. Essa definição de relacionamento não devia estar correcta na cabeça das pessoas. Essa é a parte fácil. Quando nos apaixonamos por alguém aparentemente sempre bem-disposto, com piadas para contar. Essa paixão é fácil, quando vemos a melhor parte da pessoa. Mais difícil é apaixonarmo-nos pela outra parte. A parte menos sorridente, a parte com menos charme. A parte menos atractiva. E, por isso, um relacionamento, quer no início quer durante, tem fases chatas. De vez em quando há brigas, discussões, chatices, implicações, ciúmes, gritos, lágrimas. Temos que aprender a lidar, a conviver e a amar o lado mais tenebroso de uma pessoa, senão não é amor. Qualquer um se apaixona por uma praia com sol, areia branca e água cristalina, mas nem todos conseguem ver o farol sozinho, embora um  excelente porto-de-abrigo, no topo da pequena montanha no canto da paisagem. Tem que se aceitar e amar aquela pessoa como ela é, e isso dá muito, muito trabalho. O amor é lindo, sim, e é também a maior recompensa para quem não tem medo de enfrentar os próprios medos. Amor é querer estar com a pessoa independente de qualquer coisa ou situação. Passar bons momentos, com boas conversas. Conversas que não se tem com mais ninguém. Ou pelo simples facto de estar junto…