E se?


Não é fácil quando os factos não são o que parecem na realidade. Quando tudo o que julgamos saber é posto em causa e já não percebemos o que é que realmente sabemos. É que, mesmo já não sendo fácil, é suportável saber que o que realmente se passa não é bem aquilo que queríamos, mas quando tudo à nossa volta indica exactamente o contrário… É frustrante. Põe até uma pessoa louca. Se efectivamente estamos a ver imparcialmente, ou estamos a ser levados pelo nosso subconsciente, que se apodera dos nossos mais íntimos desejos. E, a partir daqui, a nossa cabeça é ocupada por constantes suposições: “E se?”. Provavelmente as duas palavras que, juntas, mais fazem com que nos enchamos de presunções, de hipóteses, de arrependimentos, que no fim, muitas vezes, levam à insanidade. Passamos a estar numa constante avaliação dos nossos comportamentos e dos dos outros, de pensar demasiadas vezes antes de tomar uma decisão e num constante medo de termos feito algo que não devêssemos. Nada disto nos leva a lado nenhum. Nada nos pode levar ao passado para alterar decisões, nada nos pode levar ao futuro para vermos se essas foram bem tomadas. Mas é suposto o ser humano não ser coerente a tempo inteiro, e é nesses momentos que somos dominados pelo nosso subconsciente, estando numa luta persistente contra nós próprios.
Por vezes, não há nada que eu mais queira que poder ouvir os pensamentos das pessoas. Para descobrir o seu lado mais íntimo, aquele que não mostram a toda a gente. Aquele que realmente faz apaixonar ou odiar. Aquele que muitos escondem por não terem ninguém de confiança para confessar. Aquele que muitos não contam por terem medo.
Por vezes, não há nada que eu mais queira que poder ouvir os pensamentos dele. Saber se é como se pensa ou se é como parece. Saber se ele tem qualquer reacção quando ouve o meu nome. Saber se dá pela minha falta quando eu não estou onde é suposto. Onde quer que vá, o que quer que eu oiça, o que quer que eu veja me faz lembrar dele. Queria mais que tudo saber se tudo isto é absurdo ou não. E se?