Vou-te pedir

Um dia, um dia incerto e ao calhas, vou-te voltar a pedir. Vou pedir-te que me abraces. Abraces como fazias. Como me fazias sentir a mulher mais poderosa do mundo. Que nada me ia fazer estremecer, que eu era imbatível. Era inconcebível o poder do teu abraço. Era inconcebível a coragem e ousadia que me convencias ter. A audácia de superar tudo e todos sem qualquer receio. Tenho saudades. Seja por dois ou por dez segundos, só desejo um abraço teu. O poder do abraço certo é capaz de subir montanhas e trespassar tempestades. Toda a gente precisa de um de vez em quando. Às vezes dou por mim sozinha, fraca e nostálgica. E sei que faltas tu. Faltam as tuas palavras, o teu toque, o teu abraço. Já há muito que faltam e há muito que aprendi a viver sem eles. Não é fácil saber que a tua instabilidade em compromissos me impede de me querer aproximar de ti, mesmo sendo tu das melhores coisas que me pode acontecer. Porém, a minha realidade sabe que és também das piores. Apesar de todas as tentativas, ambos sabemos que não resultamos a longo prazo. Somos incompatíveis. Já tentámos. Várias vezes. Embora não seja mimada, eu preciso dos meus momentos de atenção. E tu não mos consegues dar, não corre na tuas veias. E eu sou a primeira a admitir que não resultamos e a afastar-me. Mas esses abraços… 

Tu não sabes

Tu não sabes, mas estou constantemente a pensar em ti. Nem me conheces, nem sabes que existo. Tu não sabes, mas cada vez que passas por mim, o meu coração bate a mil à hora. Tu não sabes, mas eu aprecio cada minuto em que estás na mesma divisão que eu. Tu não sabes, mas num sítio cheio de pessoas onde existe uma remota possibilidade de lá estares, os meus olhos procuram-te.  Tu não sabes, mas cada vez que abraças uma rapariga, eu imagino como seria se fosse eu. Tu não sabes, mas não há uma noite em que não sejas a última coisa que me passa pela cabeça. Tu não sabes, mas cada vez que cruzamos o olhar, estremeço. Tu não sabes, mas cada vez que te vejo sinto uma felicidade imensa por te poder ver mais uma vez. Tu não sabes, mas cada vez que sorris fazes-me sorrir. Tu não sabes, mas cada vez que vais para um canto com os fones e não queres que ninguém te veja, eu vejo-te. Tu não sabes, mas cada vez que te vejo a sorrir para alguém, o desejo que sinto que esse alguém fosse eu é estrondoso. Tu não sabes, mas cada vez que te vejo a ir embora o brilho nos meus olhos desaparece, como se tirassem um brinquedo a uma criança.  Tu não sabes, mas és a razão por eu querer que o fim-de-semana passe mais depressa. 
Tu não sabes e provavelmente nunca vais saber, mas eu sei.