Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase

"Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. 
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata, trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas oportunidades que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver a sombra. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e na frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra cobardia e falta coragem, até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance. Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência. Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão. Para os fracassos, novas oportunidades. Para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixes que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfia do destino e acredita em ti. Gasta mais horas a concretizar do que a sonhar, a fazer do que a planear, a viver do que a esperar porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."

O bilhete nunca é só de ida

E quando a máscara cai...Deixa de existir tudo menos a desilusão. A angústia por termos acreditado que alguém podia ser diferente. Mas não é. Ninguém é diferente. Ou ninguém muda. Quem é mascarado sempre foi e será mascarado. O sofrimento começa sem sentirmos, sabemos que estamos a adorar aproximarmo-nos de alguém, e damos tudo o que temos e tudo o que não temos. Sabes aqueles momentos em que sentimos uma dor aguda, lá dentro do peito, dor que nem se sabe como é ou como vem, e tira a impressão de que tudo estava bem? Dá vontade de gritar aos quatro ventos numa voz bem alta, como se fosse sair um monstro de dentro de nós, a sensação de algo sem precedentes. Como se viesse um desejo de chorar e chorar, e não saber a hora de parar. Vontade só de engolir fundo e não mostrar nada.
Estava tão bem quietinha… Era suposto ser o início de uma grande amizade. Mais uma razão para não ser preciso mentir, nem enganar, nem fingir... Melhor assim, corta-se o mal pela raiz...Tudo tem o seu lado bom. Há desilusões e desilusões, mas aquelas que acabam por revelar a verdadeira essência de alguém, que correspondem à tal queda da máscara... O problema está nas pessoas, na falta de honestidade, de sinceridade, de bondade... Não há mais nada a fazer a não ser lamentar os tombos que damos na vida, aprender com eles e seguir em frente...
Aprender que o bilhete nunca é só de ida.

Sê sempre o melhor no que quer que sejas

Com o tempo, vamos percebendo que, para sermos felizes com uma outra pessoa, precisamos, em primeiro lugar, de não precisar dela antes de a ter. Com isso, aprendemos a gostar de nós próprios, a cuidar de nós e, principalmente, a gostar de quem também gosta de nós. Aprendemos que o segredo não é correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até nós. No fim, vamos achar não quem procurávamos, mas quem estava à nossa procura.
Amor não é envolvermo-nos com a pessoa perfeita, a dos nossos sonhos. Isso de príncipes e princesas não existe. É preciso encarar a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando as suas qualidades, mas sabendo e respeitando também os seus defeitos. O amor só é lindo quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser. Numa relação, se não puderes ser uma árvore, sê um ramo. Se não puderes ser uma estrada, sê um caminho. Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela. Não é pelo tamanho que terás sucesso ou fracasso. Mas sê sempre o melhor no que quer que sejas. Não digas amo-te se não te interessas. Não fales sobre sentimentos se eles não existirem. A coisa mais impiedosa que uma pessoa pode fazer é permitir que alguém se apaixone por ela quando não pretende fazer o mesmo.
Amor é quando a felicidade do outro é a tua felicidade. Quando as lágrimas do outro são as tuas lágrimas. E quando, depois de tanto tempo se ter passado, depois de tantos problemas resolvidos, depois de tantas brigas, depois de tantos carinhos e de beijos, continuam a partilhar a mesma cama, o mesmo quarto, o mesmo tecto, a mesma vida… E é isso até que venha alguma coisa maior que esse amor.

E se a chuva vier

E se a chuva vier, não procures um guarda-chuva. Não a deixes passar. Aprende a dançar nela. O ser humano vive constantemente numa tendência de se adaptar. Adaptar aos sucessos ou aos fracassos. Adaptar às rejeições. Quando enfrentas uma rejeição, ficas fraco e vulnerável. Com o tempo, podes escolher entre voltar a abrir o coração e arriscar ou fechares-te para garantir que não acontece outra vez. O amor é um risco e quando o vês perante de ti tens o poder de escolha. É um risco e pode não resultar, pode até correr muito mal. Mas e se resultar? E se estiver à tua frente a porta para a mais bela história de amor? Não a deixes fugir. Sê corajoso, atreve-te, supera todos os teus medos e receios. Se resultar, tens uma excelente história para contar aos teus netos. Se não, aprendeste que a vida é um jogo e nem sempre se ganha. Mas uma coisa é certa: se nunca tentares, nunca saberás. Não foi mais do que isso que fiz. Abri o meu coração a quem me deu a mão quando eu menos esperava. A quem eu menos esperava. Claro que é um risco. Pode até estragar a amizade e cumplicidade que fomos construindo até aqui, que foi das melhores coisas que já vivi. Mas e se correr bem? Arrisquei por mim, porque achei que merecia. Achei que já andava pela sombra há demasiado tempo. Posso até apanhar um escaldão, mas ao menos sei a cor do Sol. Arrisquei e ainda bem que o fiz. E se a chuva vier, não procures um guarda-chuva. Aprende a dançar nela.

A minha melhor amiga

Ela é das mulheres mais fortes que conheço. Das mulheres que mais admiro. Conheço-a praticamente desde sempre. Tivemos percalços espaciais, mas hoje temos o que poucos têm. Não é só amizade! Amigos, embora haja poucos, há bastantes. Mas a nossa relação é como poucas. Somos como irmãs. Compreendemo-nos só com um olhar, há discrepância nos nossos gostos, mas partilhamos da mesma opinião na maioria das situações reais. Estamos ao lado uma da outra mesmo quando todos estão contra. Já me provou que não me aponta o dedo mesmo que mereça e todos o façam. Claro que há momentos para tudo e há, sem dúvida, momentos em que me chama à atenção e até ralha comigo (é recíproco). Mas quando chega a altura de "comigo ou contra mim", sei que ela não hesita, mesmo que lhe vá cair o mundo em cima (também é recíproco). Podemos até concordar nas falhas uma da outra em conversas paralelas sem a presença mútua, mas quando a conversa chega ao ponto de realmente "se dizer mal", aí não se metam com o que é meu. Vou defendê-la com unhas e dentes, vou soltar as minhas garras e agarrar-me a tudo o que tenho. Sei que é recíproco. Nada me faz mais triste do que ver as pessoas que mais gosto a sofrer. E das coisas que mais me custa é vê-la lutar com o Crohn. Vê-la a ter crises, a ir-se abaixo. Choro como se fosse a minha mãe a sofrer. Choro baba e ranho por saber que a força dela não é infinita. Nunca lhe disse. Vezes sem conta que ela vai ao médico ver se há novidades. Esse dia, para mim, nunca mais acaba até receber uma mensagem dela. Às vezes até me esconde as coisas piores para não me preocupar, embora saiba que eu não concordo com isso. Ao longo dos anos tinha corrido tudo relativamente bem. Até há pouco tempo. Ela chegou ao pé de mim e disse "Verónica, disseram que os medicamentos têm sido em vão. Já não fazem efeito." Caiu-me tudo. Não sou mãe dela, nem pai nem irmã. Mas tenho a certeza que me custou quase igual. Falou-me dos tratamentos, do que podia correr mal, das decisões que tinha que tomar. Por momentos, chorei o Pacífico com medo de a perder. Já não sabia o que fazer. Só lhe podia dizer que ia correr tudo bem e eu a ia apoiar em qualquer decisão. Tive tanto medo. Não fui a única, mais pessoas vieram ter comigo sobre isto. Depois pensei "Ela é forte". Sei que nunca vou compreender a dor dela, mas ela sabe que estou com ela incondicionalmente, sempre. E foi. E melhorou. E está melhor. O medo não se vai embora, mas ela agora está bem. Está feliz. Então eu também.
Ela é linda. Ela é simpática. Ela é maravilhosa. Ela é das mulheres mais fortes que conheço. Das mulheres que mais admiro.
Ela é a minha melhor amiga.

Como os príncipes que acordam as belas adormecidas

“Guarda as declarações decoradas para as meninas que ainda acreditam em contos de fadas. Comigo, podes vir tranquilo, desarmado, sem os textos decorados desse papel que te entregaram de príncipe encantado. Eu também já me despi de todos os sonhos de relacionamentos perfeitos que a vida me trouxe pelo caminho. Aprendi que vocês nunca vão funcionar como os príncipes que acordam as belas adormecidas. Depois disso, sempre me mantive bem acordada. Eu conheço os teus defeitos. Sei cada um deles. Tenho a mania de observar cada mísero passo das pessoas antes até do primeiro olá. Analisei-te enquanto sorrias despreocupado e deixavas o sol iluminar o teu cabelo castanho claro. Vi como os traços do teu rosto se suavizam quando falas com alguém que gostas. Observei a maneira como piscas os olhos incessantes vezes quando estás muito nervoso. E como ficas vermelho quando não sabes o que responder perante alguma coisa inesperada. Não precisas mesmo de saber o que responder. Não quero que respondas perante os meus dilemas. Talvez assim te vejas tentado a questionar o mundo comigo. Ou talvez te assustes. Eu sou mesmo alguém cheia de falhas. Tenho crateras em cada parte do meu corpo. Principalmente, no coração. Foram as cicatrizes, no corpo e na alma, que outras pessoas deixaram antes de ti. Mas fica tranquilo, não te quero perfeito. Podes vir cheio de erros. Vamo-nos despir dessa obrigação de fazer o outro feliz. Deixa no canto do quarto essa necessidade louca de fazer tudo certo. Eu aceito errar contigo. Eu aceito gritos, pratos partidos, discussões de tirar a respiração. Basta que digas que estás disposto a errar comigo. Comigo. E, quem sabe, entre todos os nossos erros, não consigamos uma ou outra coisa boa. Mas não te cobro nada. O meu “felizes para sempre” sou eu que construo. Chamo-te hoje para a minha vida, não para preencheres as minhas falhas, mas para me dares a mão e me ajudares a tapar as minhas feridas. Eu ajudo-te a cicatrizar as tuas também, se quiseres. E, juntos, vamo-nos rir disso tudo. Mas não te cobro nada. Talvez consigamos dar certo. Talvez acabemos mesmo com uma história bonita. Talvez vás embora, talvez eu não queira ficar mais. Mas eu estou aqui, agora. Com os meus braços abertos para te receber, se quiseres vir. Porque sem te cobrar felicidade, sem te cobrar uma história bonita e sem te cobrar amor, talvez, quem sabe, tenhamos sorte e consiguemos ser felizes, ter uma história bonita juntos. Espero que a vida, o destino, ou sei lá, resolvam dar um empurrãozinho. Quem sabe, até, não nos amemos até o final dos dias. Até o fim.”

Coisas do coração

E quando a razão perde? Quando o coração pesa mais? Quando deixamos de ser racionais e nos deixamos levar pelo coração. Sim, muitas vezes isso só faz mal. Porque a vida é assustadoramente imprevisível e basta um momento para tudo correr mal. Mas "e se"? E se eu lhe sorrir quando ele passa por mim? E se eu estiver constantemente a olhar para ele à espera que os nosso olhares se cruzem? E se eu acreditar só mais um bocadinho? Pode ser a pior coisa que posso fazer, mas certamente não irei morrer. São coisas do coração. E o que seria a vida sem arriscar? Às vezes só gostava de ter cinco minutos a três: eu, tu e a coragem suficiente. Há tanta coisa que precisava de te dizer, tanta coisa que gostava que soubesses. E depois vai vir a parte do "agora ou nunca". É do nunca que tenho medo. Não é medo, é mais pena. Tenho pena que tudo seja em vão. Porque acho que resultaria. Pena. Tenho saudades tuas todos os dias mesmo sabendo que nunca te passo pela cabeça. Todas as histórias de amor têm três partes: o início, o meio e o fim. E, embora tudo à minha volta indique o contrário, eu ainda não não consigo deixar de acreditar que a nossa ainda há-de começar. E que dure meses, anos, décadas. Ou não. Mas que comece. Estou cansada, sim. Mas o meu cansaço ainda está muito aquém da minha esperança.

A força que me falta

Sinceramente, acho que não há pior coisa que ter a felicidade mesmo ao nosso lado e não conseguir agarrá-la. Por não depender de nós. É mesmo difícil saber que a distância é tão pequena e ao mesmo tão grande. Esta noite sonhei contigo. Acho que foi o melhor sonho que podia ter tido. Foi tudo tão perfeito quanto irreal. Acordar foi uma desilusão. Ficava naquele sonho a minha vida toda. E sei que a minha realidade não está assim tão longe desse sonho, mas ao mesmo tempo está completamente ao contrário. Hoje apanhei o teu olhar. E o meu coração, literalmente, parou. Sim, para ti não foi nada, mas para mim foi tudo. Não me consegui conter. Os olhos incharam e inundaram-se. O facto de não te poder ter destroça-me por completo. Se eu te tivesse ao meu lado, era capaz de conquistar o mundo inteiro. És a força que me falta.

Quando os teus braços estão à minha volta

De vez em quando, elas aparecem. Por vezes até quando menos esperamos. Pessoas magníficas. De vez em quando, vemos a nossa vida a ser invadida por uma dessas pessoas. Elas entram na nossa vida por acaso, mas permanecem por alguma razão. Tu és uma dessas pessoas. E, hoje, escrevo para ti. Quero que saibas que entraste na minha vida numa altura em que eu sabia que precisava de ti, mesmo sem realmente saber. Quero que saibas que me deito todas as noites tranquila por saber que tenho alguém fantástico a olhar por mim. Quero que saibas que o teu sorriso me faz sorrir, porque o estares feliz me faz feliz também. Quero que saibas que me é difícil confiar em alguém, que demora muito tempo, e eu confio em ti. Quero que saibas que poucos sabem o melhor de mim, e tu, aos poucos, vais sabendo. Quero que saibas que poucos me compreendem como tu me compreendes. Quero que saibas que dou muito valor à amizade e tu és dos amigos que mais valorizo. Quero que saibas que são poucas as pessoas que me lêem só pelos olhos e tu lês. Quero que saibas que não tenho medo de ser eu, de dizer disparates ou de fazer palermices quando estou contigo. Quero que saibas que vou sentir saudades tuas todos os dias, nos próximos meses. Quero que saibas que, quando os teus braços estão à minha volta, eu estou em casa.

Arrisca

Cheguei a um ponto que me fartei. Fartei-me de “correr atrás”. O facto de estar, embora sem grande esperança, constantemente à espera de um sinal teu torna-me vulnerável, frágil. E isso é coisa que eu não me posso dar ao luxo neste momento. Preciso de ser forte, de estar com os pés bem assentes na terra. É verdade que cada vez que passas por mim me deixas alienada. Mas eu quero, eu posso, eu consigo, eu vou. Vou ser mais forte que os meus instintos. Vou ser uma mulher poderosa, ninguém me vai conseguir deter nem mandar abaixo. É o melhor, tanto para ti como para mim. Vou libertar-me a mim própria, resistir a todos os sorrisos e olhares. Vou ser forte. Tu sabes onde eu estou. Se quiseres vir, vem. Posso estar à tua espera ou pode ser tarde demais. Experimenta. Arrisca. Não vou correr mais atrás de quem sabe onde me encontrar.

Chorar não resolve, mas alivia

Às vezes é preciso chorar. Limpar as mágoas, lavar as memórias. Limpar a alma. Esquecer por momentos aquilo que nos deixa tristes. Deixar escorrer pela cara tudo o que nos magoa. Às vezes é preciso tirarmos algum tempo para pensar em nós. Um momento a um. Porque em primeiro lugar devemos estar sempre nós, os nossos desejos e as nossas necessidades, nunca os outros. E, por vezes, com a correria do dia-a-dia, deixamo-nos levar com as preocupações e os problemas dos outros, quando os nossos vão ficando para trás. Cinco minutos, quarenta e cinco ou duas horas... Tão pouco que faz tanto... Não são só os fracos que choram, muito pelo contrário. Só os fortes têm coragem para enfrentar o medo de vacilar, o medo de ser sensível. Chorar faz bem. Respirar fundo e olhar para cima faz bem. Só no fim de aceitarmos o que realmente se passa é que vamos ter toda a força que tanto procurámos para enfrentar tudo e todos os que nos preocupam. Chorar não resolve, mas alivia.

Finalmente

Finalmente consegui pôr para trás todos aqueles anos. Os meus anos de glória do secundário, onde conhecia toda a gente da escola, onde ia dormir a casa todos os dias. Demorou alguns meses. Demorou para me adaptar à minha nova vida, demorei a assimilar todas as mudanças que tive este ano. Demorei a aceitar que tudo o que era tão certo, de repente, deixou de ser. Vi-me sozinha, numa cidade desconhecida, sem amigos, sem caras conhecidas. Vi-me a pensar no passado e a querer voltar, mais do que tudo. A querer voltar para a minha casa, para os meus amigos, para a minha família. Nunca desejei tanto voltar a “casa”. Vi-me completamente perdida. Chorava dia e noite. A minha mãe ligava-me todos os dias à tarde, eu estava sozinha em casa e ela percebia o quão triste eu estava. Via os meus amigos a fazerem os seus próprios novos amigos e a terem sempre histórias para contar, e eu ali, sozinha, sem ninguém. Quando acordava de manhã, só queria ficar na cama. A vontade de passar a manhã com desconhecidos era zero. Chorava cada vez que entrava no comboio no domingo à noite. Só pensava no quão eu era feliz meses atrás e ali não era nada. Cheguei a pensar se isso era bom para mim. Se deveria continuar ou mudar de direcção. Demorei mais de seis meses. Mas encontrei-me. Já não estou sozinha. Agora, tenho comigo pessoas que sei que vou ter durante muito, muito tempo. Pessoas que fui conhecendo nos últimos meses. Pessoas que pensei serem completamente diferentes do que são, e que acabaram por me surpreender positivamente. Pessoas que, no início, não passavam de desconhecidas, a quem eu só trocava um “bom-dia” e um sorriso vazio, tudo apenas por uma questão de educação. Pessoas com quem eu nunca pensei me dar tão bem e fossem tanto como eu. Hoje, fico triste quando a tarde chega ao fim, depois de mil jogos de cartas e mil e uma gargalhadas, e vão todos para casa. Hoje, acordo de manhã com vontade de passar mais um dia com os MEUS amigos, com quem já tenho as MINHAS histórias para contar. Hoje, a minha mãe liga-me à tarde e mal consigo falar com ela no meio de tanta alegria. Porque, nessa altura, ainda estou com o meu people, na faculdade. Hoje, as minhas semanas passam a correr. Dou por mim à quinta-feira à noite a pensar “Amanhã já é sexta-feira e vou para casa, passou tão rápido”. Quando chego a casa no fim-de-semana, não me consigo calar. Tenho tanta coisa para contar sobre a minha semana, sobre o que fiz e com quem fiz. Consigo contar, pelo menos, doze pessoas. Doze pessoas que fazem do meu sorriso todos os dias sincero. Hoje, sei que não desistir foi a melhor decisão da minha vida. Demorou, mas estou feliz.

Louca por ti

As horas parecem dias quando não estás lá. E, quando estás, nunca os minutos passam tão rápido. Bem que os tento aproveitar, porque sei o quão raro isso pode acontecer, mas cada vez que olho para ti congelo. Não consigo ver mais nada à tua volta, como se só tu existisses. As minhas mãos congelam, o meu coração tanto acelera a mil à hora como pára completamente por segundos. Mas acredito que aproveito. São esses os pontos altos da minha semana. O pior vem depois... Quando te vais embora... Aí os meus olhos seguem-te e contam os teus passos. Não imaginas o quanto eu gostava de ir contigo. Caminhar ao teu lado, só eu e tu. Sonho com o dia em que vais olhar para mim, com esses olhos que me fazem derreter, e dizer "Vem comigo". Percebe que eu ia sem hesitar, que eu te seguiria para qualquer lado. Percebe que cada vez que me olhas nos olhos fazes o meu dia. Percebe que estou completamente louca por ti.

"Não deixem nada por fazer, nem nada por dizer"

Continuo a insistir que as pessoas perdem demasiado tempo com tudo errado. Demasiado tempo com coisas erradas, com pessoas erradas. Sofrem, choram, vivem em constante tristeza e esquecem-se do que têm de bom. Do que a vida tem de bom! Dizem que só lhe damos valor quando o perdemos... A nossa vida pode acabar num segundo. Até pode ser uma frase bastante cliché, mas é a mais pura das verdades. A nossa vida pode acabar num segundo. A vida dos que mais amamos pode acabar num segundo. Agora, ou daqui a dez minutos, dez meses ou dez anos, quem sabe... E se fosse mesmo agora? O que aconteciam às coisas que ficaram por fazer? Às coisas que ficaram por dizer? O que se diz a uma mãe que acabou de perder um filho? Não é suposto... O que se diz a uma criança que acabou de perder os pais inesperadamente? Não é suposto. Mas acontece, todos os dias, a toda a hora. A reunião importante que faltaríamos, o lixo que não ia ser despejado, o café que não íamos beber com a melhor amiga, os miúdos que iam ficar à espera de serem apanhados na escola... Num segundo, não há nada a fazer. Tudo deixa de fazer sentido. E eu aqui, longe de tudo e de todos. Não consigo deixar de pensar na dor que sentiria se perdesse alguém importante agora, longe de mim. Quais teriam sido as minhas últimas palavras? Quando foi a última vez que disse à pessoa que a amava? Será que a última imagem dela de mim foi um sorriso? Tudo fica a divagar na cabeça. E, volto a referir, uma mãe que perde um filho? E um irmão que perde um irmão? E essa dor? Não é suposto. Aproveitem aquilo que têm com quem têm de mais importante, porque amanhã pode ser tarde demais. Da próxima vez que discutires com a tua mãe, ou com qualquer outra pessoa, lembra-te: se fores embora, pode ser a última vez que a vais ver. Não te despeças com más palavras. 
"Não deixem nada por fazer, nem nada por dizer". António Feio

Era porque não estava destinado a ser

Muitas vezes damos demasiada importância a problemas que não afectam a nossa vida em nenhum sentido. Muitas vezes ficamos assustados com o que vai acontecer com o nosso futuro, e esquecemo-nos de que nem o passado nem o futuro importam, apenas o presente. Apesar de todos os problemas, todas as confusões, nunca deixes o teu presente ser abalado. Aliás, a vida é uma só, e não existe passado nem futuro depois de morrermos, só existe o presente. Hoje engoli o choro mais uma vez. Engoli a vontade de gritar para todos. E engoli um pouco da dor também. Mas isso está-se a acumular e acumular dentro de mim, e eu não aguento muito mais. Já pensei em desistir. Já fiz até loucuras para ver se acabava com, pelo menos, um pouco desta dor, mas parece que com o tempo só vai aumentando. Por isso, estou a começar a desconfiar do que me dizem. Dizem que, com o tempo, tudo passa, tudo se cura. Mas não sei até que ponto isso é verdade. Porque, para mim, o tempo vai passando, e dói cada vez mais. Dói, sim. Até dói ouvir certas músicas que me fazem lembrar do que eu mais preciso de esquecer. Mas depois de tudo isto, depois de toda a esta dor, só de ouvir a tua voz, já me sinto bem. Como um remédio santo. Tudo em ti me conquista todos os dias. Tu fascinas-me. Já tenho inúmeras razões pelas quais cada vez mais tenho a certeza que isto tão cedo não vai passar. Quando olho para ti, só penso num "nós" que não existe. Nos olhares que não se cruzam. Nas palavras que não são ditas. Nas mãos que não se tocam. Nos beijos que não são dados. Só consigo pensar que não há outros lábios que eu deseje beijar mais que os teus. Penso em "nós". Pode vir a existir, quem sabe? E, se existir, que o nosso amor dure um montão de anos, tanto quanto a nossa vida durar. Que nós nos conheçamos pelos olhos, saibamos tudo um do outro, mas nunca deixemos de nos surpreender um ao outro todos os dias. Que sejamos eternos adolescentes apaixonados, por aí, escondidos dos pais. Que a nossa cama tenha nos lençóis sempre a marca dos nossos corpos e o calor da noite passada. Que enfrentemos este mundo juntos, e que saibamos que, no fim do dia, esperaremos sempre um pelo outro, com um sorriso de saudade nos lábios e um "eu amo-te" preso na garganta, que ficou um dia inteiro de trabalho à espera de ser dito. E que seja amor e paixão, sempre, juntos. Sempre nós. E se não for, não foi. Era porque não estava destinado a ser.

Daquelas que gostam de gostar dos que não gostam de volta


O que é suposto fazer quando a pessoa que tanto te faz chorar é a única que te pode ajudar? Dói muito gostar de alguém que sei que nunca poderei ter… E pior que isso, é conversar todos os dias com essa pessoa e não poder demonstrar o que realmente sinto. A cada segundo que estou perto de ti, tenho que controlar minha respiração, os meus batimentos cardíacos, o meu estômago que parece estar com borboletas dentro dele… Eu preciso de me controlar para não te olhar nos olhos por muito tempo, com medo de que isso seja o suficiente para perceberes e me evitares. A pior forma de sentir a falta de alguém é estar sentado ao seu lado e saber que nunca a terá. E um pedaço de mim morre, um dia de cada vez. Porque parece que não consigo tirar-te da minha cabeça. Não importa o quanto eu tente. Cada vez que ponho os pés no chão e começo a aceitar que nunca serás meu, que vais ter outra pessoa... Vejo-te sorrir. E tu estragas tudo. Só eu sei o quanto eu queria poder-te abraçar, poder-te beijar, poder-te ver, poder-te tocar, chorar no teu ombro, rir até às três da manhã, ver filmes agarrada a ti, sussurrar-te no ouvido: “Tenho comigo toda a sorte do mundo”, viajar contigo, conversar contigo até não poder mais, andar de mãos dadas contigo, conhecer os teus amigos, conhecer a tua família, morar contigo, dormir na mesma cama que tu dormes… Pois, mas tudo isto não passa de um sonho do que nunca poderei realizar contigo. Querer alguém que não te quer é como tentar voar com uma asa partida. Aparentemente, sou daquelas que gostam de gostar dos que não gostam de volta. Aparentemente, gosto de sofrer por quem pouco mais sabe senão o meu nome. Mas eu sei que, quando menos esperar, voltarei a sorrir, a viver a minha vida sem limitações, tudo fará sentido, e me vou apaixonar por alguém errado, outra vez.

Por vezes forte, às vezes fraco

São dias como o de hoje que me fazem mal. Porque voo alto e caio de ainda mais alto. Já nem consigo escrever. As palavras que me fluem na cabeça não passam disso. Não passam para os dedos. Sinto-me travada, com falta de alguma coisa. Tenho medo, sabes? Tenho medo de me ter apegado tanto à ideia de "ti" que agora estou encurralada e não me consigo largar sozinha. Sinto-me presa nos meus próprios braços. E quando olho para ti minutos seguidos e, de repente e inesperadamente, lá estás tu a olhar para mim. Sim, pode ser coincidência. Sim, pode ter sido apenas de relance. Mas isso magoa-me. Cada olhar que cruzamos, e que para ti não passa de um simples olhar, para mim tem muito significado. Não sei explicar, mas tenho um pico de felicidade cada vez que olhas para mim. E eu sei que tu sabes que eu olho. E que passo todo o meu tempo a olhar-te. A ouvires música, a sentires a música nos teus dedos como se estivesse um piano à tua frente. E, por vezes, parece que fazes de propósito, embora sem mal. Não há nada que torne o meu dia mais brilhante do que passar horas a poder olhar-te. E quando tu te vais embora... Quando tu vais embora, apetece-me chorar. Porque, e cada vez mais, pode ser a última vez que te vejo antes do Verão. O tão esperado e doloroso Verão. Sinceramente, não sei como vou aguentar. Mas eu sou forte, e, quem sabe, até me largo de ti já este Verão. Quem sabe... Mas o pensar que são mais de dois vezes sem te ver uma única vez dá cabo de mim. Pode ser que um dia me olhes com vontade de ver. Por vezes forte, coragem de leão, às vezes fraco, assim é o coração.

Perdida

Já não tenho forças. Já não consigo lutar contra o que é óbvio. Contra o que não tem pernas para andar. Às vezes temos de admitir: nunca vai resultar. Custa, mas é preciso. As minhas forças foram-se deteriorando
 ao longo das semanas. Mesmo que contra a minha vontade. Hoje os nossos olhares cruzaram-se. E, aí, eu tive a certeza. Tive a certeza que "tu e eu" nunca vai resultar. Que nunca vai haver um "nós". Que tudo não passa de uma ilusão, de um possível sonho. Tu sabias. Sabias que eu queria e acreditava. Mais uma razão que me leva a ter a certeza. A possibilidade de um "nós" nunca te passou sequer pela cabeça. Dói, claro que dói. Cada vez que olho para ti, dói. Mas é a lei da vida. Rejeições vêem-se em todo o lado, com toda a gente. Só tenho que aprender a lidar com isso. Hoje fui-me abaixo. Não sei até que ponto me vou conseguir levantar. Só sei que me encontrei apaixonada por alguém que mal conheço. A não saber o que quero nem o que faça. A pedir a mim própria para não chorar. A sorrir cada vez que passas por mim, para disfarçar as lágrimas que querem cair. A parecer feliz cada vez que alguém me olha. A usar como desculpa a poeira para os olhos molhados. E, agora, vejo-me perdida. Deixa-me esquecer-te. Pára de passar por mim a toda a hora com o teu sorriso lindo. Deixa-me ir.

Não custa sonhar, não é?

Vivo todos os dias na esperança de um dia vires a olhar para mim como ele olha para ela. Um olhar doce e preocupado, como um de um pai protector, como o de um irmão defensor, como o de um amante apaixonado. Um olhar com uma intensidade que qualquer um percebe. Um olhar como há poucos. Um olhar que, para existir, precisa que haja amor, preocupação, carinho. Não custa sonhar, não é?  Daria tudo para ser o que os teus olhos mais procuram, como os dele a procuram. Para ser a voz que mais queres ouvir, como ele a dela. Para ser a única razão de estares triste ser eu estar triste. Ou o sorriso que te faz sorrir.
Mas eu não sou ela. E tu não és ele.
Por isso, tenho que viver a realidade, a minha realidade. Eu e tu, pouco mais que conhecidos.
Não sei como é possível, mas gosto de ti. Não sei como, não sei porquê, mas gosto.
Pode ser que um dia encontres todos os meus textos, todas as minhas frases, e saibas que são para ti. Todas para ti. E que venhas ter comigo e me digas.
Pode ser que mude alguma coisa, pode ser que não.
Não custa sonhar, não é?

À espera deste momento


E eu que pareço uma tola cada vez que te vejo e falas para mim, que fico contente e ao mesmo tempo frustrada. É evidente o porquê. Ter a tua atenção torna-me a mais contente das tolas. E quando oiço a tua voz e observo a tua naturalidade… Isso é inestimável! Faz com que o meu coração pare durante segundos até voltar a bater. E a frustração vem a partir daí. Vejo a felicidade tão próxima de mim, mas tão distante do alcance das minhas mãos. Vejo-me perdida numa prepotência, dependente apenas do tempo. O tempo é o senhor da razão e o mestre da verdade. O tempo traz a verdade à tona e arruma o desarrumado. Até esse dia chegar, eu continuo a sobreviver do teu sorriso, o mais forte dos meus vícios, aquele que me dá vontade de pedir pelo dia de amanhã quando o de hoje chega ao fim; e da tua voz, o mais belo som que posso ouvir, e que nunca é mal recebido no meu coração. O único som que me faria sorrir no fim de uma derrota do Benfica. O que é suposto eu fazer quando és o meu primeiro e último pensamento de cada dia? Quando todo o meu corpo estremece cada vez que os nossos olhares se cruzam? É suposto fazer tudo, mas eu não consigo fazer nada. Vivo todos os dias com a esperança que um dia vais olhar para mim, com os teus lindos olhos a brilhar, e dizer-me: “Eu também. O que andaste a fazer durante toda a minha vida?”. E eu vou sorrir, beijar-te a testa e responder "À espera deste momento". Mas, por enquanto, eu espero...

Qualquer um se apaixona por uma praia


Alguns dizem que é o amor que move o mundo, outros dizem que não passa de reacções químicas. Alguns dizem que se conseguimos explicar, então não é amor. Alguns dizem que dura para sempre, outros acham que amor é amor até deixar de o ser. O amor está em cada gesto que fazemos, tem as cores da amizade, da devoção, da maternidade, da família, do trabalho, da casa, da vida de todos os dias. O amor não é fácil. Mas mais especificamente, nunca ninguém disse que o início de um relacionamento amoroso é fácil. Porque um relacionamento não é só prazer. Não é só festas, viagens, gargalhadas, diversão, brindes, sexo, beijos, cumplicidade. Essa definição de relacionamento não devia estar correcta na cabeça das pessoas. Essa é a parte fácil. Quando nos apaixonamos por alguém aparentemente sempre bem-disposto, com piadas para contar. Essa paixão é fácil, quando vemos a melhor parte da pessoa. Mais difícil é apaixonarmo-nos pela outra parte. A parte menos sorridente, a parte com menos charme. A parte menos atractiva. E, por isso, um relacionamento, quer no início quer durante, tem fases chatas. De vez em quando há brigas, discussões, chatices, implicações, ciúmes, gritos, lágrimas. Temos que aprender a lidar, a conviver e a amar o lado mais tenebroso de uma pessoa, senão não é amor. Qualquer um se apaixona por uma praia com sol, areia branca e água cristalina, mas nem todos conseguem ver o farol sozinho, embora um  excelente porto-de-abrigo, no topo da pequena montanha no canto da paisagem. Tem que se aceitar e amar aquela pessoa como ela é, e isso dá muito, muito trabalho. O amor é lindo, sim, e é também a maior recompensa para quem não tem medo de enfrentar os próprios medos. Amor é querer estar com a pessoa independente de qualquer coisa ou situação. Passar bons momentos, com boas conversas. Conversas que não se tem com mais ninguém. Ou pelo simples facto de estar junto…

E se?


Não é fácil quando os factos não são o que parecem na realidade. Quando tudo o que julgamos saber é posto em causa e já não percebemos o que é que realmente sabemos. É que, mesmo já não sendo fácil, é suportável saber que o que realmente se passa não é bem aquilo que queríamos, mas quando tudo à nossa volta indica exactamente o contrário… É frustrante. Põe até uma pessoa louca. Se efectivamente estamos a ver imparcialmente, ou estamos a ser levados pelo nosso subconsciente, que se apodera dos nossos mais íntimos desejos. E, a partir daqui, a nossa cabeça é ocupada por constantes suposições: “E se?”. Provavelmente as duas palavras que, juntas, mais fazem com que nos enchamos de presunções, de hipóteses, de arrependimentos, que no fim, muitas vezes, levam à insanidade. Passamos a estar numa constante avaliação dos nossos comportamentos e dos dos outros, de pensar demasiadas vezes antes de tomar uma decisão e num constante medo de termos feito algo que não devêssemos. Nada disto nos leva a lado nenhum. Nada nos pode levar ao passado para alterar decisões, nada nos pode levar ao futuro para vermos se essas foram bem tomadas. Mas é suposto o ser humano não ser coerente a tempo inteiro, e é nesses momentos que somos dominados pelo nosso subconsciente, estando numa luta persistente contra nós próprios.
Por vezes, não há nada que eu mais queira que poder ouvir os pensamentos das pessoas. Para descobrir o seu lado mais íntimo, aquele que não mostram a toda a gente. Aquele que realmente faz apaixonar ou odiar. Aquele que muitos escondem por não terem ninguém de confiança para confessar. Aquele que muitos não contam por terem medo.
Por vezes, não há nada que eu mais queira que poder ouvir os pensamentos dele. Saber se é como se pensa ou se é como parece. Saber se ele tem qualquer reacção quando ouve o meu nome. Saber se dá pela minha falta quando eu não estou onde é suposto. Onde quer que vá, o que quer que eu oiça, o que quer que eu veja me faz lembrar dele. Queria mais que tudo saber se tudo isto é absurdo ou não. E se?

Bastava-te um olhar

Se me olhasses nos olhos com vontade de quereres ver, bastava-te um olhar. 
Bastava-te um olhar para me perceberes. Para ficares a saber o que eu sinto cada vez que te vejo. Os arrepios que sinto na coluna, as mãos que tremem, o coração que salta. Parece mentira, mas é mesmo verdade. Sinto tudo como se te conhecesse desde sempre e só agora me apercebesse das minhas reacções para contigo. Mas não. Na realidade, não te conheço. Nem nunca falei contigo directamente. Mas a tua voz... A tua voz é o meu paraíso. É como a mais bela sinfonia de Beethoven para os amantes de  música clássica. É como um aperto que tenho no coração, saber que consigo sentir isto sem realmente te conhecer. Parece mesmo mentira. Nunca me tinha acontecido, até agora. Sempre achei que isso do "à primeira vista" não existia. E acredito que continua a não existir. Mas acredito, sim, num segundo olhar. Um olhar diferente. Quantas foram as vezes que passaste por mim, te ouvi falar, rir, te sentaste na mesa à minha frente... E nunca tal coisa senti. Foi de um momento para o outro, do dia para a noite. Quando dei por mim, olhaste-me de relance e eu tremi. Fiquei insegura, senti-me sozinha. E, mesmo assim, é o teu olhar que eu mais procuro. Porque apesar da insegurança que eu sinto, sinto conforto cada vez que os nosso olhares se cruzam. Sei que nunca te passará pela cabeça aquilo que eu penso cada vez que isto acontece. Sei que para ti não passa de um olhar ao teu redor e que, por acaso, eu apareço no meio. Para mim, és o olhar que me faz aguentar a semana inteira longe do meu habitat. Confesso que me sinto um pouco ridícula por falar assim de uma pessoa que só sabe o meu nome, e nem isso eu tenho a certeza se te lembrarás. Ridícula por me sentir assim por uma pessoa que não conheço. Pois bem, não tenho a culpa, não te escolhi. És como uma varinha do Harry Potter, foi o teu olhar, o teu sorriso, a tua voz... que me escolheram. 
Com tudo isto, garanto-te. Garanto-te que se me olhasses nos olhos com vontade de quereres ver, bastava-te um olhar.

Vou-te pedir

Um dia, um dia incerto e ao calhas, vou-te voltar a pedir. Vou pedir-te que me abraces. Abraces como fazias. Como me fazias sentir a mulher mais poderosa do mundo. Que nada me ia fazer estremecer, que eu era imbatível. Era inconcebível o poder do teu abraço. Era inconcebível a coragem e ousadia que me convencias ter. A audácia de superar tudo e todos sem qualquer receio. Tenho saudades. Seja por dois ou por dez segundos, só desejo um abraço teu. O poder do abraço certo é capaz de subir montanhas e trespassar tempestades. Toda a gente precisa de um de vez em quando. Às vezes dou por mim sozinha, fraca e nostálgica. E sei que faltas tu. Faltam as tuas palavras, o teu toque, o teu abraço. Já há muito que faltam e há muito que aprendi a viver sem eles. Não é fácil saber que a tua instabilidade em compromissos me impede de me querer aproximar de ti, mesmo sendo tu das melhores coisas que me pode acontecer. Porém, a minha realidade sabe que és também das piores. Apesar de todas as tentativas, ambos sabemos que não resultamos a longo prazo. Somos incompatíveis. Já tentámos. Várias vezes. Embora não seja mimada, eu preciso dos meus momentos de atenção. E tu não mos consegues dar, não corre na tuas veias. E eu sou a primeira a admitir que não resultamos e a afastar-me. Mas esses abraços… 

Tu não sabes

Tu não sabes, mas estou constantemente a pensar em ti. Nem me conheces, nem sabes que existo. Tu não sabes, mas cada vez que passas por mim, o meu coração bate a mil à hora. Tu não sabes, mas eu aprecio cada minuto em que estás na mesma divisão que eu. Tu não sabes, mas num sítio cheio de pessoas onde existe uma remota possibilidade de lá estares, os meus olhos procuram-te.  Tu não sabes, mas cada vez que abraças uma rapariga, eu imagino como seria se fosse eu. Tu não sabes, mas não há uma noite em que não sejas a última coisa que me passa pela cabeça. Tu não sabes, mas cada vez que cruzamos o olhar, estremeço. Tu não sabes, mas cada vez que te vejo sinto uma felicidade imensa por te poder ver mais uma vez. Tu não sabes, mas cada vez que sorris fazes-me sorrir. Tu não sabes, mas cada vez que vais para um canto com os fones e não queres que ninguém te veja, eu vejo-te. Tu não sabes, mas cada vez que te vejo a sorrir para alguém, o desejo que sinto que esse alguém fosse eu é estrondoso. Tu não sabes, mas cada vez que te vejo a ir embora o brilho nos meus olhos desaparece, como se tirassem um brinquedo a uma criança.  Tu não sabes, mas és a razão por eu querer que o fim-de-semana passe mais depressa. 
Tu não sabes e provavelmente nunca vais saber, mas eu sei.

Larga as laranjas e muda de vida


"Pega no telefone e liga-lhe, não tens nada a perder. Diz-lhe que tens saudades dele, que ninguém te faz tão feliz, que os teus dias são secos, frios e áridos, como um deserto imenso, sem oásis nem miragens, sempre que não estão juntos. Pega no telefone e liga-lhe. Se ele não atender, deixa-lhe uma mensagem. Ou então escreve-lhe uma mensagem a dizer que queres estar com ele. Não te alongues nem elabores, os homens nunca percebem o que queres deixar cair nas entrelinhas. Tens de ser clara, directa, incisiva. E não podes ter medo, porque o medo é o maior inimigo do amor. Cada vez que deixares o medo entrar-te nas tuas veias, ele vai gelar-te o sangue e paralisar-te os nervos, ficas transformada numa estátua de sal e morres por dentro.A vida é uma incógnita, hoje estás aqui, amanhã podes ficar doente, ou cair-te um piano em cima quando fores a andar na rua. Ainda há pessoas que atiram pianos pela janela, sabias? Nunca se sabe como será o dia de amanhã, por isso não percas tempo: pega no telefone e liga-lhe. Tenho a certeza que ele te vai ouvir, tenho a certeza que ele te vai ajudar, tenho a certeza que ele, à sua maneira - e é tão estranha a forma como os homens gostam de nós - ainda gosta de ti. Mesmo que já não te ame, ainda gosta de ti, como tu vais aprender a gostar dele, quando a vida te obrigar a desistir deste amor. Ele está longe, mas olha por ti por entre memórias, presentes e flores. À noite, entre sonhos alterados pelo álcool, tu apareces-lhe na cama e ele volta a sentir o cheiro da tua pele e volta a amar-te com todas as suas forças. Ainda que não acredites, tu viverás para sempre nele, tal como ele vive em ti, na memória das tuas células, num passado que pode ser o teu escudo, mesmo que não seja o teu futuro. Pega no telefone e liga-lhe. Fala com ele de coração aberto, diz-lhe que o queres ver, chora se for preciso, pede-lhe que te diga se sim ou se não. Se for preciso, por mais que te custe, pede-lhe para te escrever a palavra NÃO. Pede-lhe uma resposta para o teu coração. Mais vale saberes que acabou tudo do que viveres com as laranjas todas no ar, qual malabarista exausto, sem saberes nem como nem quando elas vão cair. Mais vale chorar a tristeza de um amor perdido do que sonhar com um oásis que se transformou numa miragem. Pega no telefone e liga-lhe. Liga as vezes que forem precisas até conseguires uma resposta, a paz de uma certeza, mesmo que essa certeza não seja a que desejavas ouvir. Mas não fiques quieta, à espera que a vida te traga respostas. A vida é tua, tens de ser tu a vivê-la, não podes deixar que ela passe por ti, tu é que passas por ela. E quando todas as laranjas caírem, apanha-as com cuidado, guarda-as num cesto e muda de profissão. O circo é para quem não tem casa nem país, não é vida para ninguém. Guarda as laranjas num cesto, leva-as para casa e faz um bolo de saudades para esquecer a mágoa. E nunca deixes de sonhar que, um dia, tal como eu, vais encontrar alguém mais próximo e mais generoso, que te ensine a ser feliz, mesmo com todas as pedras que encontrarem no caminho. Larga as laranjas e muda de vida. A vida vai mudar contigo." 

Margarida Rebelo Pinto

A coragem de se vencer a si próprio antes de querer vencer o próximo

"Não há quem não tenha um dia menos bom. Não há quem não tenha aquele dia em que a auto-estima estremece e parece não haver volta a dar. Mas há, acaba por haver sempre. Porque, mesmo que inconscientemente, os seres humanos estão programados para seguir em frente, mesmo que pareça impossível. E às vezes é preciso esquecer os fracassos para lutar pelos sucessos. Forte é a pessoa que se levanta depois de cair e não quer esquecer o fracasso. Quer sim lembrar-se todos os dias da queda e ter orgulho em saber que um dia se conseguiu levantar. Não quer dizer que não tenha os seus momentos mais frágeis, porque tem. Quem não os tem? Em muitas situações da vida, porém, não sabemos avaliar o que realmente necessitamos: se de força ou de coragem. E há momentos em que precisamos das duas. Há situações que nos exigem muita força, mas há horas em que a coragem se faz mais necessária. É preciso ter força para ser firme, mas é preciso coragem para ser gentil. É preciso ter força para ganhar uma guerra, mas é preciso coragem para se render. É preciso ter força para estar certo, mas é preciso coragem para admitir o erro. É preciso ter força para se manter em forma, mas é preciso coragem para ficar de pé. É preciso ter força para sentir a dor de um amigo, mas é preciso coragem para sentir as próprias dores. É preciso ter força para esconder os próprios males, mas é preciso coragem para demonstrá-los. É preciso ter força para suportar o abuso, mas é preciso coragem para fazê-lo parar. É preciso ter força para fazer tudo sozinho, mas é preciso coragem para pedir ajuda. É preciso força para enfrentar os desafios que a vida oferece, mas é preciso coragem para admitir as próprias fraquezas. É preciso força para buscar o conhecimento, mas é preciso coragem para reconhecer a própria ignorância. É preciso força para lutar contra a desonestidade, mas é preciso coragem para resistir às suas investidas. É preciso força para enfrentar as tentações, e é preciso coragem para não cair nas suas próprias armadilhas. É preciso ter força para gritar contra a injustiça, mas é preciso muita coragem para ser justo. É preciso força para ensinar a verdade, mas é preciso coragem para ser verdadeiro. É preciso ter força para falar, mas é preciso coragem para se calar. É preciso força para lutar contra a insensatez, mas é preciso coragem para ser sensato. É preciso ter força para defender os bens materiais, mas é preciso coragem para preservar o património moral. É preciso ter força para amar, mas é preciso coragem para ser amado. 
É preciso ter força para sobreviver, mas é preciso coragem para aprender a viver. 
Força e coragem: duas virtudes com as quais podemos conquistar grandes vitórias. E a maior delas é a vitória sobre as próprias imperfeições. "