Hoje escrevo para ti


Hoje escrevo para ti. Escrevo de forma diferente se pensarmos que sempre escrevi com felicidade e hoje escrevo com dor. Hoje escrevo para ti perdida na falta de razões, perdida na falta de explicações. Gostava de entrar na tua mente. Gostava de ser tu para por momentos  conseguir entender o que sentes e quem és. Por vezes, sinto que não te conheço, sinto que não te posso conhecer. Olho à volta e procuro-te, mas, por vezes, não te encontro. E, mesmo quando te encontro, por vezes, não consigo chegar até ti, não te consigo sentir. Talvez seja de mim, mas é o que acontece. Fecho os olhos, mas ao contrário de outros momentos, também aqui, por vezes, não te consigo ver. Também aqui não te consigo sentir, também aqui não te consigo cheirar. Os meus pensamentos voam sem nexo. Perdi a direcção e o coração recusa-se a dar-me outro mapa. Estou perdida em ilusões e dor. Quero encontrar um rumo mas não sei para onde caminhar. Dói-me o corpo e a alma. Quero fechar os olhos e avançar no tempo. Quero viajar para um futuro onde já não estamos aqui. Um futuro incerto, mas que o desejo passar contigo. Quero viajar para um futuro onde a nossa história se confunda com tantas outras histórias de amor que já que li.
 Hoje escrevi para ti. 

Meses, anos

Dou por mim a querer que os minutos passem mais depressa, as horas sejam mais curtas e os dias mais velozes que a luz. Porque hoje não está certo. Ainda falta muito para o estar. Talvez daqui a seis meses o esteja. Até lá, só me resta esperar e desejar que os dias, as horas e os minutos não se façam sentir. Sofro por os sentir. Sofro porque eles não passam tão rapidamente como eu gostaria. Fecho os olhos, respiro fundo e imagino. Imagino onde vou estar daqui a seis meses. Ou daqui a um ano. Imagino se vou estar feliz. Vou, sem dúvida. Imagino onde vou estar. Ah, essa é a parte mais incerta. Imagino com quem vou estar e a fazer o quê. Porque apesar de ser feliz hoje, hoje não me chega. Quero mais. Quero a minha vida, não agora, as daqui a uns meses, ou anos. Sonho para que sejam bons tempos por lá. Sonho para que o Sol esteja a iluminar o meu sorriso. E vou fazer por isso, não se pode ficar sentado à espera que esses sonhos se realizem sozinhos. Dou por mim a querer mais, a querer tudo isto. Até lá, só me resta esperar e desejar que os dias, as horas e os minutos não se façam sentir.

O nosso começo

É impossível alguma vez me arrepender destes momentos menos bons ou destas discussões que passaram. Afinal, aprendi com tudo isto. Chegou a hora de recomeçar, se for preciso do zero. Recomeçar desde aquele primeiro olhar, já bem cientes do que sentíamos, aquele primeiro toque, aquele primeiro beijo. Recomeçar não cometendo os mesmos erros do passado e lutando sempre para agirmos melhor que ontem. Recomeçar procurando sempre e em primeiro lugar o melhor para os dois. Recomeçar. Os dois, juntos. Porque o caminho para a felicidade e o amor pleno é tão estreito que nós só o conseguiremos atravessar com sucesso no momento em que ficarmos apenas um. Vou recomeçar, apaixonando-me todos os dias e não apenas uma vez. Vou-me apaixonar por ti cada vez que te vir, cada vez que me lembrar de todos os momentos que já passámos juntos, todos os olhares trocados, todos os toques, carícias e beijos. Mil palavras ficariam bem num texto como este. Acontece que mil palavras não chegam nunca para descrever o que sinto por ti, o que sinto quando te vejo, quando estou contigo. Alguns dizem que o amor é um rio, que afoga a relva macia. Outros dias que o amor é como a fome, uma necessidade infinita de dor. E eu? Eu digo que é como uma flor, e tu és a minha semente. Que seja este o nosso começo. O começo de algo maravilhoso.